28.1.26

 no fundo, os sentimentos são diferentes mas a situação é a mesma. uns são mais fortes do que outros, uns parecem sentir mais do que outros. mas a perda é a mesma. e todos também querem partir, mas ninguém tem coragem, por isso sobrevivemos a pensar que o fazemos pelo outro... e o outro, afinal, também só quer ir.

23.1.26

 tenho tido coisas para registar, mas pouca ou nenhuma vontade de fazer login num dispositivo móvel.
o mundo tem andado de pernas para o ar, e sinto que há imensas barreiras de comunicação entre as pessoas - embora sempre tenha havido, mas hoje em dia incompreendemo-nos. há menos tolerância e aceitação do outro, há menos empatia e preocupação. não me agrada minimamente para onde caminhamos. nunca me agradou, mas agora é ainda menos. onde está a porta de saída? não quero fazer parte disto.

22.1.26

    imaginemos que entramos num quarto todo ele amarelo, e por lá permanecemos. não há mais nada neste quarto senão as paredes amarelas, e tudo faz sentido e é pacífico. estou nesse quarto neste momento, e está tudo bem. talvez as coisas devam ser assim, e as devemos sentir assim, sem pesos e medidas. 

    ando a ler dois livrinhos fantásticos que merecem ser falados: "Contos do Chá", organizado por Alberto Manguel, com ilustrações (muito belas) de Sebastian Filgueiras; e "aquilo em que preferia não pensar", de Jente Posthuma.
    o primeiro é uma coletânea de contos [mais ou menos] sobre e com chá. tem sabido optimamente e recomendo. voltei a encontrar o senhor Harley Quin, uma das minhas personagens favoritas dos contos de Agatha Christie.
    o segundo livro permite-me chegar a um ponto na minha vida em que posso admitir livremente (e finalmente) que gosto de livros depressivos, sobre depressão, sobre lidar com assuntos pesados e que parecem andar connosco como quem anda com pedras nos bolsos. será bom sinal? penso que não. mas já carregamos imensa coisa que não nos permitimos partilhar ou admitir, e esta deixará de ser uma delas para mim. o livro está contado do ponto de vista de uma rapariga, que tinha um irmão gémeo que se suicidou, e passa pelas memórias conjuntas, a forma como ela se sentia em relação ao irmão, os conflitos entre os dois, os conflitos dela com outras coisas. basicamente todo o processo que fazemos quando alguém parte da nossa vida sem haver uma despedida, quando somos obrigados a lidar com aquilo que sabemos e com o que não sabemos. tenho equiparado este livro a "Tudo o que ficou por dizer", de Celeste Ng, por ter exactamente o mesmo tom, o mesmo sentimento, e ambos são brilhantes. no entanto, o "aquilo (...)" tem uma estrutura como se de um diário se tratasse, embora sem datas, e os capítulos são pequeninos, e sem títulos.  

    ambos têm capas amarelas :)

noutras notícias... soube que a blogs do Sapo vai encerrar. ora, eu vim parar a este mundo dos blogs por lá. foi a minha porta de entrada em 2007. saí porque o espaço era pequeno, o que sempre foi muito positivo, mas tinha chegado a um momento na minha vida que precisava de não ter público, e não conseguia isso lá. aqui tem funcionado muito bem. gosto de escrever e descarregar as minhas coisas por aqui, e pensar que atirei alguma coisa para a internet que alguém possa encontrar. saliento possa encontrar. no Sapo escrevia sabendo que alguém definitivamente ia ler. escrevia para um público, tendo isso em ideia. aqui, um bocado como faço no instagram com fotos, publico para mim, para voltar ao que escrevi, saber qual era o objectivo da minha partilha, e guardar o momento. se alguém encontrar, boa. senão, o seu objectivo está cumprido na mesma. enfim... onde queria chegar é que sinto pena de ver os blogs da Sapo chegarem ao fim. mantive os meus privados, excepto o último, e entretanto perdi os acessos, pelo que nunca mais conseguirei recuperar os posts (será que também valia a pena? nem dizia nada de jeito).
parece quem está noutro navio e vê o Titanic a afundar.