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22.1.26

    imaginemos que entramos num quarto todo ele amarelo, e por lá permanecemos. não há mais nada neste quarto senão as paredes amarelas, e tudo faz sentido e é pacífico. estou nesse quarto neste momento, e está tudo bem. talvez as coisas devam ser assim, e as devemos sentir assim, sem pesos e medidas. 

    ando a ler dois livrinhos fantásticos que merecem ser falados: "Contos do Chá", organizado por Alberto Manguel, com ilustrações (muito belas) de Sebastian Filgueiras; e "aquilo em que preferia não pensar", de Jente Posthuma.
    o primeiro é uma coletânea de contos [mais ou menos] sobre e com chá. tem sabido optimamente e recomendo. voltei a encontrar o senhor Harley Quin, uma das minhas personagens favoritas dos contos de Agatha Christie.
    o segundo livro permite-me chegar a um ponto na minha vida em que posso admitir livremente (e finalmente) que gosto de livros depressivos, sobre depressão, sobre lidar com assuntos pesados e que parecem andar connosco como quem anda com pedras nos bolsos. será bom sinal? penso que não. mas já carregamos imensa coisa que não nos permitimos partilhar ou admitir, e esta deixará de ser uma delas para mim. o livro está contado do ponto de vista de uma rapariga, que tinha um irmão gémeo que se suicidou, e passa pelas memórias conjuntas, a forma como ela se sentia em relação ao irmão, os conflitos entre os dois, os conflitos dela com outras coisas. basicamente todo o processo que fazemos quando alguém parte da nossa vida sem haver uma despedida, quando somos obrigados a lidar com aquilo que sabemos e com o que não sabemos. tenho equiparado este livro a "Tudo o que ficou por dizer", de Celeste Ng, por ter exactamente o mesmo tom, o mesmo sentimento, e ambos são brilhantes. no entanto, o "aquilo (...)" tem uma estrutura como se de um diário se tratasse, embora sem datas, e os capítulos são pequeninos, e sem títulos.  

    ambos têm capas amarelas :)

noutras notícias... soube que a blogs do Sapo vai encerrar. ora, eu vim parar a este mundo dos blogs por lá. foi a minha porta de entrada em 2007. saí porque o espaço era pequeno, o que sempre foi muito positivo, mas tinha chegado a um momento na minha vida que precisava de não ter público, e não conseguia isso lá. aqui tem funcionado muito bem. gosto de escrever e descarregar as minhas coisas por aqui, e pensar que atirei alguma coisa para a internet que alguém possa encontrar. saliento possa encontrar. no Sapo escrevia sabendo que alguém definitivamente ia ler. escrevia para um público, tendo isso em ideia. aqui, um bocado como faço no instagram com fotos, publico para mim, para voltar ao que escrevi, saber qual era o objectivo da minha partilha, e guardar o momento. se alguém encontrar, boa. senão, o seu objectivo está cumprido na mesma. enfim... onde queria chegar é que sinto pena de ver os blogs da Sapo chegarem ao fim. mantive os meus privados, excepto o último, e entretanto perdi os acessos, pelo que nunca mais conseguirei recuperar os posts (será que também valia a pena? nem dizia nada de jeito).
parece quem está noutro navio e vê o Titanic a afundar. 

29.5.25

"Deep Cuts" - chama-lhe uma espécie de review

 por norma, não faço reviews seja do que for neste blog. uso as devidas plataformas para o fazer e ficar tudo bonitinho e no seu cantinho. abstive-me de fazer review do Cleopatra and Frankenstein quando aquele livro me dizia muita coisa - mas muito se deveu a não conseguir recomendar o livro. mas não consigo ignorar tanto este sentimento em relação ao Deep Cuts. é mais do que recomendável!
lá de vez em quando aparecem-me estes livros vigorosos em que sinto uma conexão imensa com os personagens, em que lido com eles como se fossem os meus melhores amigos, e não consigo avançar com o término fictício da nossa relação. senti isso em relação à Cleo, e sinto muito isso em relação à Percy, Zoe e Joe. 
na minha muito breve review no goodreads escrevi: "Isto é o Almost Famous dos livros. E, como tal, eu realmente só queria ter sido a Percy.". há anos, desde a primeira vez que vi o Almost Famous, que percebi que havia um nome e um papel profissional para aquilo que queria ser. primeiro, pensei que jornalismo ia valer-me esse papel. quão magnífico ser jornalista e aceder a concertos, acompanhar bandas, dar o seu ponto de vista de um momento tão único e fantástico que nunca se repete da mesma forma. depois, analisei as coisas, e... olha que giro o fotojornalismo! mas não me enchia as medidas. era bom sonhar ter aquela vida nómada, ou mais alternativa, de seguir bandas e concertos. quando percebi do que se trata a antropologia... isto, sim, era vida. toda a gente era importante, toda a gente tinha uma história para contar e registar, e que se lixem as bandas e a música. 
no entanto, como sabemos, os sonhos demoram muito a morrer, e cada vez que revejo (e revejo imensas vezes) o Almost Famous, há uma partezinha de mim que chora internamente. com Deep Cuts, eu senti que vivi o sonho. e queria mais, muito mais. 
o livro dá-nos a introdução à amizade com a partilha de música. sabem quantos amigos fiz desta maneira? todos os que permanecem na minha vida até hoje! e senti-me tão bem a ler sobre como isso pode ser a melhor maneira de fazer e manter amizades. e, no seu desenvolvimento (o do livro), a Percy segue o seu caminho como alguém que não tem talento para ser músico, mas tem ouvido para a música, para compor as letras, para criticar, para melhorar. tudo coisas que eu adorava. esta é uma pele a vestir, ou a acompanhar. 
embora esteja a ser vendido como um romancezito, vamos esquecer essa parte e focar naquilo que interessa: é difícil uma mulher fazer caminho na cena musical, seja qual área for. é difícil verem-nos quando os homens parecem ser sempre os elementos mais fortes, carismáticos e inteligentes nesse meio. uma parte das mulheres na música ficaram pela sombra, mas há mulheres com alguma sorte, nesse sentido, que se sobressaíram.
uma parte das bandas e das músicas são um pouco antigas, mas outras que são referenciadas acompanhei-as nos devidos anos. curiosamente, não entendia as suas músicas da forma como Percy o fez durante o livro. as experiências de cada um reflectem-se na percepção das coisas. mas, desta vez, entendi e senti o que cada letra queria transmitir, juntamente com o livro. foi como voltar atrás, reviver uma juventude não vivida, uma experiência que faltava.
a história é uma ode à vida, aos nossos gostos, à nossa personalidade, a construir amizades e olhar por elas mesmo quando parece que tudo dá errado nessas relações, mas, acima disso, de, no fim do dia, nos escolhermos e sabermos que merecemos viver os nossos sonhos. 
existe uma playlist muito catita que acompanha o livro, embora haja mais referências no livro de músicas que não aparecem aí (uma parte também são ficção e inexistentes, mas coiso... esquecemos essas). 

é tudo saboroso e sabe bem viver assim. 

sim, sim, esta é uma espécie de review não-review, eu sei.

também sei que o Nuno Markl recomendou o livro, mas no dia que o comprei nem olhei a isso. vendeu-se-me (existe? espero que sim) por ser um livro de ficção com bandas e referências reais, e vim a lê-lo pelo caminho (a pé) de casa! melhor coisa que podia ter feito. 

2.11.24

Lisboa é a minha Nova Iorque

li o Cleopatra and Frankenstein, da Coco Mellors. 
não recomendo, de todo, o livro, mas marcou-me tanto. revi-me em várias coisas, quis proteger a Cleo, quis abanar a Cleo, quis não houvesse tanta toxicidade naquele desenvolvimento, naquelas personagens. cheguei a desistir do livro, não era o tipo de leitura de que gosto. mas houve qualquer coisa que me prendeu a ele, e fiquei a pensar para onde a autora iria levar a Cleo e o Frank. e eis que, uns dias após acabar a leitura e continuar presa àquelas personagens, aos cenários, centrei-me num detalhe e apercebi-me que a Cleo recorreu a Nova Iorque à procura de algo que não encontrou. aquela cidade nunca lhe daria o que ela precisava. 

de certa maneira, isto diz-me algo. eu prendi-me a Lisboa na minha busca por liberdade. uma liberdade que envolve crescimento pessoal, intelectual. raízes a expandirem-se numa cidade que já conheço. não o suficiente para me sentir em casa - nunca será a minha casa -, mas o suficiente para passar despercebida e sentir que posso ser quem eu quiser, que esta cidade pode ser o que quiser. contrariamente a Cleo, não preciso de um Frank... mas também reconheço que a verdadeira liberdade é podermos ser quem quisermos em qualquer lugar do planeta. 

7.4.21


terminei hoje a leitura de "A Vida Contada de A. J. Fikry". é um livro que me tocou de alguma forma, não sei bem como, mas adorei-o por completo. por essa razão, há coisas que gosto de manter em mente, e há coisas com que me identifico. talvez seja como A. J. - nunca soube as siglas a que nomes correspondem - e só goste de livros com que me identifique. mas, nesta altura, percebi que enquanto leio livros, não me sinto sozinha. é a melhor companhia que arranjei, e são eficazes. A. J. também sabia disso...
 

14.5.18

hoje, nas leituras da faculdade: "(...) o perigo mora na calma e, às vezes, a calma engana (...)". 

27.1.18

«Pois a sabedoria é uma protecção, assim como o dinheiro é uma protecção. Porém, a vantagem do conhecimento é esta: a sabedoria preserva a vida de quem a possui.»  Ecl. 7:12 

7.7.17

“It is a capital mistake to theorize before one has data. Insensibly one begins to twist facts to suit theories, instead of theories to suit facts.”
― Sir Arthur Conan Doyle, in "Sherlock Holmes".

19.6.17

«Se a máquina de música aceitasse lágrimas...»

in The Ballad of Lee Cotton de Christopher Wilson

31.7.16

"Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis.
Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído."
Livro do Desassossego - Bernardo Soares

29.4.16

quem me dera que alguém me tivesse recomendado a leitura de "um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto, em 2011. este livro teria um impacto diferente em mim e daria uma visão absolutamente necessária naquele ano.

16.11.15

Tenho a dizer, nunca pensei que ficasse tão entusiasmada com a leitura de "A Confissão de Lúcio". Os primeiros capítulos foram um sofrimento de leitura, mas depois tornou-se numa aventura cheia de ritmo, sentimentos e teorias.

9.6.14

depois de ter tirado 1h de trabalho para procurar por uma história que li há uns anos, e que não me lembrava do título correctamente, acabei por ficar na dúvida se a mesma é um conto ou um livro. primeiro comecei por procurar Rosas de Malcata o que, obviamente, deu em nada. como tinha a ideia que a história tinha qualquer coisa a ver com Neruda, ainda procurei "«O Carteiro de Pablo Neruda» rosas deserto", o que também deu em nada. depois procurei por "amanhecer rosas deserto livro" o que, novamente, deu em nada. então escrevi "rosas de..." e após passar por várias rosas de alguma coisa, dei com um nome familiar, que num instante me tirou Malcata do pensamento. «Rosas de Atacama», de Luís Sepúlveda, era o que procurava! a felicidade de ter (re)descoberto o título é tão grande! agora tenho de procurar a ver se se trata de um conto (num livro de histórias) ou se se trata realmente de um livro. 
(quanto às minhas leituras feitas em aula (de Português) no 8º ou 9º ano, parece-me que foram muito bem seleccionadas - embora eu tivesse a ideia de que tinha lido esta história no 11º ano. anyway, esta tem sido uma referência (um bocado) esquecida mas, ao mesmo tempo, bastante constante mentalmente.)

24.10.13

Chegaram hoje. Num dia de chuva e numa tarde sem nada de muito importante a fazer. Uma maravilha!
E já tenho o meu computador (que foi a arranjar há uns dias, mas que por acaso nem tinha mencionado isso aqui.)
Vá, chuva, faz o teu trabalho que eu já tenho com que me entreter...